A partir da análise tridimensional que propomos neste estudo, levando em consideração três distintas dimensões da sombra no universo dos recuperandos da APAC, esperamos ter demonstrado a importância da literatura, mais especificamente do gênero conto de fada, como um excelente recurso arteterapêutico, sobretudo quando aplicado ao universo de um grupo com sérias limitações culturais, sociais e psicológicas. Importância esta que se tentou legitimar principalmente pela relação entre os indivíduos encarcerados e a própria sombra da sociedade.
Nesse sentido, este trabalho pretendeu mais do que uma simples análise estanque de uma obra literária que possui indícios de aspectos sombrios de seus escritores. Sua intenção, em uma perspectiva mais ampla, foi mostrar a real potência de um instrumento artístico que – se utilizado pelo viés da Arteterapia – poderá trazer resultados efetivamente positivos, uma vez que a dimensão da escrita possui instrumentos adequados para instaurar uma espécie de proteção psíquica – via pacto ficcional – e uma reverberação simbólica – via símbolos da narrativa – àqueles que estejam em processo de recuperação terapêutica.
Deste modo, se nossas reflexões serviram para mostrar o quanto a iniciativa promovida pela APAC de Itaúna merece louváveis créditos – pela inserção da escritura em um presídio, pela sociabilização de seus presos, pela oportunidade criativa propiciada a eles e por toda a reverberação simbólica que uma ação deste nível promove na mente de um indivíduo em situação de encarceramento – que elas também tenham servido para propiciar uma percepção da necessidade de propagação de atividades deste gênero.
Da mesma maneira que propomos salientar os aspectos positivos do uso dos recursos literários na atividade de produção textual realizada na APAC, procuramos mostrar também indícios de quais novos caminhos poderiam ser percorridos em busca de um maior aprofundamento simbólico das narrativas e, consequentemente, um maior grau de compreensão psíquica daqueles que as escrevem.
E este aprofundamento, conforme o nosso ponto de vista, está ligado, primeiro, à necessidade de que atividades desta ordem sejam práticas extensivas para tornar possível uma investigação mais profunda dos elementos simbólicos expressos nos textos criados (e recriados!); e, segundo, que a prática da escrita esteja ligada de modo intrínseco à prática da leitura, uma vez que estas dimensões se intercambiam dialeticamente e constituem-se como pilares fundamentais na transformação de escritores/recuperandos em indivíduos recuperados.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

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