A Arte já consiste, naturalmente, em um processo terapêutico, uma vez que propicia uma penetração do indivíduo dentro de uma dimensão extra-cotidiana cujo estranhamento provoca-lhe um deslocamento salutar. A Arteterapia surge, na verdade, para direcionar essa potencialidade de modo a atingir fins específicos no domínio da cura. Nesse sentido, a principal diferença entre essas duas áreas está muito mais no objetivo do que no processo. Enquanto a Arte tem por fim a construção de um objeto estético, a Arteterapia objetiva a resolução de um problema de ordem pessoal.
Nessa
perspectiva, um outro diferencial está, evidentemente, nos papéis
representados nessas duas esferas. Enquanto no Teatro, por exemplo,
temos o diretor e os atores, na Arteterapia temos o arteterapeuta e
seus pacientes. E se por um lado, no primeiro caso, não há um
cuidado muito apurado em relação à sanidade dos artistas, no
segundo, não há a valorização efetiva do caráter artístico da
prática terapêutica. Portanto, levando em consideração essas
premissas, encontrar um campo interlocutor em que essas duas
dimensões dialoguem seria um desafio promissor, já que
possibilitaria uma potencialização dos resultados tanto de uma
quanto de outra ou – talvez ainda melhor – faria surgir um novo
domínio artístico, mais favorável às necessidades do novo
milênio.