O resumo do conto O Segredo da Caixa
O Segredo da Caixa conta
a história de um reino governado por um rei justo e sábio que possuía dois filhos,
um mais novo que era bom e honesto e outro mais velho que era ambicioso e
cruel. O rei administrava o seu reino com firmeza e ternura. A vida dos seus
súditos, de um modo geral, era modesta, mas não lhes faltava nem o pão nem o
vinho. E todos viviam alegres e em harmonia.
Este
rei possuía uma caixa muito valiosa, pois dentro dela havia um segredo muito
importante. Ninguém, além do rei, sabia o que havia dentro da caixa. E, para
proteger o misterioso conteúdo, o rei colocou, pessoalmente, um segredo na
fechadura. Era uma pecinha de metal que, acionada de maneira certa, fazia a
caixa abrir como que por encanto[1].
Como é
possível prever, o filho mais velho, cuja ânsia pelo poder era imensa, começa a
dar sinais de que gostaria de destronar o seu próprio pai e assumir o reino por
completo. Ele toma conhecimento por meio de uma cigana de que só obteria o
reinado se tivesse acesso à caixa secreta. Desta forma, ele começa uma intensa
procura pelo objeto mágico por todo o palácio. Seu pai, conhecendo as intenções
malignas do filho, vai ao encontro de seu alfaiate, que também era o seu único
amigo e a quem podia confiar verdadeiramente. A este é concedida a guarda do
objeto que é mantido em sua casa até o momento em que o filho mais velho começa
as suas investidas fora do reino. Por esse motivo, o alfaiate resolve fugir com
a caixa para preservar a segurança do objeto de seu rei e amigo.
Entretanto,
na fuga, seu cavalo acaba tropeçando em um esquilo e a caixa mágica cai no mar.
“O alfaiate, exausto, desesperou-se. Não havia o que fazer. Era tão leal ao rei
mas não conseguiu guardar seu valioso segredo. Tão envergonhado ficou que se
escondeu num mosteiro, sem revelar
quem era.”[2].
Depois de um tempo, a caixa é encontrada por um jovem humilde que costumava
pescar na região onde o objeto foi perdido. Encantado com a beleza do objeto,
tenta abri-lo sem êxito. Curioso e a par das buscas do filho do rei, o pescador
resolve ir até o castelo para devolvê-lo e receber a sua recompensa. Ao chegar
lá, ao invés da recompensa, foi levado pelos guardas e trancado numa masmorra
escura e fria, onde estava também o rei aprisionado pelo príncipe cruel.
O filho
mais velho então tenta abri-la, “só que TER não é SABER. E, sem conhecer o
conteúdo da caixa, ela nada valia.”[3]
Sem alternativas, ele vai até o rei para obrigá-lo a abrir a caixa mágica. Lá
chegando ele diz: “Abra a caixa, pai. Não me obrigue a usar de violência[4].”
Sem escolhas, o pai aciona o dispositivo secreto e a caixa se abre:
Lá
dentro, como um cristal precioso, estava uma jóia, em formato de coração, que
pulsava como se viva estivesse. Seu brilho era tanto que ofuscou os olhos dos
guardas que acompanhavam o ganancioso príncipe. “É só uma jóia, afinal” –
murmurou o príncipe, mais indignado do que surpreso[5].
Foi
quando o pai explica-lhe que há anos uma poderosa feiticeira havia colocado o
seu coração na caixa para protegê-lo. Com esta magia, nenhum mal poderia
abatê-lo e consequentemente todo o seu reino manteria-se seguro e protegido.
Com a abertura violenta da caixa seu poder começava a esfacelar-se e as suas
forças esvaírem-se.
Nesse
momento, o filho mais novo, que havia sido mandado à guerra pelo filho mais
velho para que se mantivesse afastado do castelo, informado das intenções do
irmão, retorna das terras longínquas e ajoelha-se diante do pai implorando-lhe
que resista. Entretanto, a decepção e a tristeza apoderam-se do coração
paterno.
É neste
instante que o príncipe mau percebe a sua monstruosidade e ordena que os
guardas liberem o seu pai. Arrependido, assume suas faltas e diz ao rei que
partirá para longe e nunca mais importunará o reino. O rei, então, ao começar a
ter suas forças recuperadas na medida em que o coração dentro da caixa começa a
pulsar, diz-lhe:
Você
acaba de salvar o reino, meu filho. Só há uma coisa tão poderosa quanto o amor:
o perdão. Somente o verdadeiro amor é capaz de perdoar àqueles que nos fazem
mal. Seu arrependimento, sincero, resgatou essa capacidade em mim. O reino é
livre novamente. Fique conosco e me ajude a governar.[6]
E deste
modo iniciou-se a fase mais abundante do reino. O rei agora tinha dois filhos
benevolentes e generosos. E o filho mais velho tornou-se o rei mais justo de
todos, pois todas as vezes em que era necessário o seu julgamento, lembrava-se
de seus erros cometidos e de como quase colocou tudo a perder e, assim,
adquiria mais ponderação e deixava sua verdade falar mais alto.