O trabalho com o desenho na Arteterapia é um recurso fantástico. Um dos motivos é o fato de propiciar uma reconfiguração no conceito estetizante que adquirimos em relação às nossas produções artísticas desde os nossos primeiros contatos com a Arte, lá nos primeiros anos escolares. Por causa destas interferências educacionais, acabamos por acreditar que o que é ideal é a reprodução fiel e realista daquilo que vemos, e quando pintamos traços tortos, quando projetamos na folha as assimetrias, quando a tinta borra e marca a folha, nosso olhar crítico logo tem um desejo imenso de amassar a folha e jogá-la na cesta de lixo!
            Nesta perspectiva, o arteterapeuta, ao contrário da "tia do primário" que permitia apenas céus azuis, árvores verdes e nuvens brancas, deve permitir - ou melhor, incentivar - o fluxo imaginativo do paciente/artista, deixando aflorar a beleza e a simbologia que pode estar atrás do aparentemente feio ou bizarro.


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